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Feel Me

Sou tudo o que escrevo e escrever é o que me move!

Feel Me

Sou tudo o que escrevo e escrever é o que me move!

Sab | 07.04.12

Hoje

sueamado
                                  











Já se passaram quantos anos? Três? Quatro? Nem sei muito bem, mas assim que te vi o tempo desvaneceu-se, deixou de contar e apagou tudo o que ficara para trás. Olhas-me de olhos firmes postos em mim, quase não pestanejas. As minhas amigas deixam cair um silêncio que nos abafa a todos, perguntam-se provavelmente o que sucederá de seguida, mas nem eu sei. Estou incrédula com a tua proximidade, tanto que te desejei e sonhei assim junto de mim. Sinto-me estremecer por dentro e nem sequer tento disfarçar o meu desconforto perante a tua enorme estatura, a mesma que me forçava sempre a esticar-me para te chegar à boca. O quanto te rias então. – “És mesmo pequenina, anda cá que te trago até mim”! Como será que tem corrido a tua vida todos estes anos? Será que te fiz falta? Que outras mulheres encheram o teu vazio? Quem terás tu agora? Tantas perguntas, mas continuamos em silêncio e apenas nos olhamos.
Vejo-te aproximar de mansinho, passos inseguros como se me considerasses uma visão, os teus olhos estão vidrados, seguras-me a cara entre as mãos que sinto tremer, mas nada dizes, agora já o meu coração parece não caber mais no peito, as minhas lágrimas caiem igualmente silenciosas molhando-me a alma e os lábios que beijas suave como que para não me magoar, estou a rebentar por dentro, não consigo entender porque te afastaste de mim, porque me deixaste ir, porque desististe dos nossos dias e noites. Que falta me fizeste, que vazio ficou na minha alma, a mesma que um dia rejuvenesceu para te aceitar. Fugiste do que te faria feliz e deixaste-nos absurdamente sós de tudo, do amor que fizemos sem nunca nos cansarmos, das palavras que esgotávamos quando planeávamos um tempo só nosso, mas não te deixei ir de mim, nunca, até hoje, dia em que te sinto na pele, dia em que finalmente toco os contornos de uma face que já a mente tentava em vão manter. O teu cheiro é o mesmo, esse guardei-o, o cheiro que se misturava com o teu suor, suor que eu sorvia porque era do prazer que te oferecia. – “Jamais alguém te amará tanto como eu”. – Disse-to no dia em que os mesmos olhos de hoje confirmaram que escapavas de mim, mas não te pedi que ficasses, jamais te impediria de ir onde quer que conseguisses, mesmo que sem mim.
Amar-te foi sempre fácil, premente, meu, teu, nosso. Reconheço-te, sei-te, tenho-te aqui, gravado no que conheço de mim. Hoje sei que se voltasse atrás seria para te impedir de partir. Hoje não iria respeitar as tuas inseguranças, iria sim lutar para te ter, para te cuidar, e encher de mim. Hoje não choraria escondida adivinhando que não voltarias mais. Hoje não!
Os teus lábios pressionam agora os meus, sinto a tua língua quente a roçar na minha, devagar, num beijo cheio de vontade, como tantos outros que já demos. Estou em bicos de pés, laçaste-me a cintura e sinto-me no ar, a flutuar no nosso desejo. Não quero que pares, por favor não pares, beijas-me forte e ansiosamente agora quase não respiro, o ar quer fugir, mas não preciso dele, preciso de ti, quero-te a ti. Fazes-me falta. Os meus poros respiram-te. És real, sabia que tinhas estado na minha vida.
- Meu amor que saudades de ti, estou a sentir-te minha outra vez. Perdoa-me, por favor perdoa-me…
E de novo estás na minha boca, na minha carne.
- Não chores por favor, fiz-te sofrer, eu a besta insegura e desumana. Se soubesses como te sonhei, quantas vezes tentei discar o número que me martelava por dentro. A tua voz, sempre me acalmou e soou tranquila, dizendo como me querias e desejavas. Reconhecê-la-ia entre milhões de vozes. És tudo o que pedi, mas acobardei-me, fugi da tua segurança, da tua força. Estou em vão a tentar que percebas porque desapareci na noite sem explicar nada e tu nunca pediste. Fala amor, não chores, fala comigo…
Hoje foi aquele dia que sonhei durante tantos dias e noites em claro. Julguei por vezes que sairia enlouquecida de tudo isto, que até mesmo a minha força se desvaneceria perante a tua falta, vi-te e antevi-te nas ruas de uma cidade tão próxima da minha sentindo-te no ar. Sonhei com este dia, sonhei-o de todas as formas possíveis, mas senti sempre que viria, que iria acontecer. Imaginei-o acordada, segui-lhe os passos, ele ia acontecer e nesse dia eu iria entender. Os silêncios matam, disse-o tantas vezes e tu fingiste ouvir e entender. Julguei que sobretudo tu o entenderias! Quando estavas só, longe deste mundo seguro, num país longínquo que te roubava de mim, nessa altura sabias que a minha proximidade, a minha voz te manteria acordado, vivo, menos dorido e eu nunca te faltei, nunca me silenciei, estive sempre aqui, perto da tua necessidade de mim! Não me deste na mesma proporção, mas amei-te na mesma, quis-te sempre, sonhei-te e senti-te. Não me arrependo de nada, sobretudo de ti. Faria tudo outra vez, hoje e sempre. Amar é bom, deixa-nos vivos, permite colorir dias chuvosos e cinzentos, rasga sorrisos, permite amanheceres cheios de esperança e vontade. Amar é bom e eu amei-te, muito e voltaria a amar-te tanto, que deixaria que o coração que dizem não doer, me doesse realmente!
Sab | 07.04.12

My Love On Top!

sueamado
Acordei assim, cheia de energia, cheia de vontade de ti e de te dizer o quanto estás na minha vida para ficar, para cuidar. Sim, vou cuidar melhor de ti a partir de hoje. Vou-te encher de tudo o que armazenei para o dia em que alguém como tu entrasse na minha vida. 

Não vou questionar mais nada, prometo, vou apenas beber todas as gotas que saírem de ti, de mim, do que temos juntos. Ok… as mulheres pensam demasiado, verbalizam desnecessariamente, mas até tu mesmo já admitiste que as minhas palavras preenchem o teu universo e te deixam mais completo. Serão as palavras que nos acompanharão sempre, mudando tudo à sua passagem. Os silêncios, esses sim  deixam-nos vazios por dentro, apenas preenchidos por dúvidas, por … “ses”… e se? Eu, como tão bem sabes, não deixo nada por dizer, encho-te e preencho-te de sons que te mostram o quanto de desejo, o quanto te quero e amo! Ainda não tinhas ouvido de nenhuma mulher “os amo-te” que segundo dizes, te vêm mudando a vida. Eu no entanto acordo e nunca adormeço sem te bombardear com os amo-te que te irão acompanhar para o resto da tua e da minha vida. 

Amo-te sempre que me olhas com um sorriso e me estendes o braço para que me aninhe no teu peito, sinto-te forte, responsável pela minha segurança e fico quietinha a ver o teu queixo com a covinha que tantas vezes beijo, sou pequenina, mas chego-te onde te consigo enlouquecer, sobretudo quando te sussurro ao ouvido com um sopro de sensualidade que és o meu homem, que te quero, que preciso de ti forte e dominador dentro de mim a mandares no meu corpo que tão bem conheces e reconheces, sabes o que o faz estremecer, sabes onde me beijar e por onde percorrer o meu corpo com essas mãos gigantes de desejo e certezas. Eu deixo-me arrastar por ti, gemendo e suplicando-te que não pares, que não saias de mim nunca, que me faças tua, todas e quantas vezes o meu corpo aguentar.

Amo-te quando dizes que te preencho e que a forma como fico totalmente molhada logo que me dás o primeiro beijo longo, apaixonado, sem pressas, te faz compreender que o meu corpo foi desenhado para ti, para as tuas mãos, para o sexo que irás meter em mim, decidido. Levantas-me para ti, enquanto me possuis com a certeza de que apenas me virei contigo, em ti, jorrando o meu prazer uma e outra vez. Fazer amor contigo é sexo, carinho, luxúria, pudor, falta dele, dor de um dia não entrares mais em mim. As minhas ancas movimentam-se dançando para que entres e toques em todo o meu corpo. Sorrio-te sempre que me olhas, falamos para nos acordarmos do que não parece possível e calamo-nos para nos sentirmos gemer, respirar, suspirar. Querer-te é o que eu quero. Acordar contigo faz dos meus dias novos começos, recomeços! Não planeei a tua chegada, vivia no alto das minhas metas, queria assim ou assado, mas sempre comigo no comando, mas tu chegaste e tudo mudou, recomeçou para mim, com a intensidade que concebo na minha existência.


És demasiado alto para mim, tive que esticar-me para te chegar aos lábios que cerraste num sorriso, aquele sorriso que me disse teres percebido que eu já era tua, que te iria querer de igual forma, que estaria sempre por perto, que te incluiria, que não te deixaria vazio e que até as minhas palavras que caiem em excesso te enchessem de mim, de ti e de nós!
Não existe espaço que não esteja preenchido por ti, não existem sons, nem cores que não sejam projectadas por ti e para ti. Não seria jamais fácil ou concebível para mim, uma existência entregue a outro que não eu mesma porque sempre fui quem me bastou, quem segundo tu, se recatou para não ter, para não sofrer, mas eis que passei a ter tudo, demais do muito que passei a desejar de ti.

Enlouqueço-te quando danço, rebolo as ancas e deixo que as minhas mãos deslizem pelos meus seios, barriga, cintura e coxas. “You Put My Love On Top” diz a Beyoncé e eu sinto-me bem no cimo, bem no topo da tua existência! Disseste-me que eu não gostava de dançar, que eu era a dança e que a música completava o meu já vasto repertório. Foi com música que te mostrei as sensações que nos entranham quando nos amamos ao som dela. Passaste a usá-la para tudo, até te via abanar no duche, quando te barbeavas e quando me preparavas o sumo que teria que seguir as tuas instruções para que o meu dia fosse mais completo!

Puseste o meu amor bem lá no cimo e quando já só me alimentava de ti, deixaste-me! Vazia de tudo, sem movimentos, sem reacções, encolhida num canto durante dois dias até que me levantaram e tentaram secar as lágrimas que não paravam de jorrar. Foi debaixo de um duche que mesmo quente me gelou as entranhas, as mesmas que sentiram que jamais estarias em mim, comigo e apenas porque num dia cheio da chuva que amavas porque o seu pingar ruidoso te fazia lembrar de mim, me foste levado, arrancado do meu corpo, alma e risos.
Levaram-te e eu agora vou passar a sobreviver, a arrastar-me, a sentir-me vazia, oca e nem as palavras que eu esbanjava agora querem sair dos meus  lábios. Levaste tudo contigo, levaste-me a mim, mas o meu corpo teimoso ficou para trás, sem movimento, sem reacção, sem nada do que me fazia a mulher que te preenchia. Deixaste-me e pronto, agora já não sou eu, agora sou apenas um corpo sem alma, sou eu sem mim dentro!


Sab | 07.04.12

My Love On Top!

sueamado
Acordei assim, cheia de energia, cheia de vontade de ti e de te dizer o quanto estás na minha vida para ficar, para cuidar. Sim, vou cuidar melhor de ti a partir de hoje. Vou-te encher de tudo o que armazenei para o dia em que alguém como tu entrasse na minha vida. 

Não vou questionar mais nada, prometo, vou apenas beber todas as gotas que saírem de ti, de mim, do que temos juntos. Ok… as mulheres pensam demasiado, verbalizam desnecessariamente, mas até tu mesmo já admitiste que as minhas palavras preenchem o teu universo e te deixam mais completo. Serão as palavras que nos acompanharão sempre, mudando tudo à sua passagem. Os silêncios, esses sim  deixam-nos vazios por dentro, apenas preenchidos por dúvidas, por … “ses”… e se? Eu, como tão bem sabes, não deixo nada por dizer, encho-te e preencho-te de sons que te mostram o quanto de desejo, o quanto te quero e amo! Ainda não tinhas ouvido de nenhuma mulher “os amo-te” que segundo dizes, te vêm mudando a vida. Eu no entanto acordo e nunca adormeço sem te bombardear com os amo-te que te irão acompanhar para o resto da tua e da minha vida. 

Amo-te sempre que me olhas com um sorriso e me estendes o braço para que me aninhe no teu peito, sinto-te forte, responsável pela minha segurança e fico quietinha a ver o teu queixo com a covinha que tantas vezes beijo, sou pequenina, mas chego-te onde te consigo enlouquecer, sobretudo quando te sussurro ao ouvido com um sopro de sensualidade que és o meu homem, que te quero, que preciso de ti forte e dominador dentro de mim a mandares no meu corpo que tão bem conheces e reconheces, sabes o que o faz estremecer, sabes onde me beijar e por onde percorrer o meu corpo com essas mãos gigantes de desejo e certezas. Eu deixo-me arrastar por ti, gemendo e suplicando-te que não pares, que não saias de mim nunca, que me faças tua, todas e quantas vezes o meu corpo aguentar.

Amo-te quando dizes que te preencho e que a forma como fico totalmente molhada logo que me dás o primeiro beijo longo, apaixonado, sem pressas, te faz compreender que o meu corpo foi desenhado para ti, para as tuas mãos, para o sexo que irás meter em mim, decidido. Levantas-me para ti, enquanto me possuis com a certeza de que apenas me virei contigo, em ti, jorrando o meu prazer uma e outra vez. Fazer amor contigo é sexo, carinho, luxúria, pudor, falta dele, dor de um dia não entrares mais em mim. As minhas ancas movimentam-se dançando para que entres e toques em todo o meu corpo. Sorrio-te sempre que me olhas, falamos para nos acordarmos do que não parece possível e calamo-nos para nos sentirmos gemer, respirar, suspirar. Querer-te é o que eu quero. Acordar contigo faz dos meus dias novos começos, recomeços! Não planeei a tua chegada, vivia no alto das minhas metas, queria assim ou assado, mas sempre comigo no comando, mas tu chegaste e tudo mudou, recomeçou para mim, com a intensidade que concebo na minha existência.


És demasiado alto para mim, tive que esticar-me para te chegar aos lábios que cerraste num sorriso, aquele sorriso que me disse teres percebido que eu já era tua, que te iria querer de igual forma, que estaria sempre por perto, que te incluiria, que não te deixaria vazio e que até as minhas palavras que caiem em excesso te enchessem de mim, de ti e de nós!
Não existe espaço que não esteja preenchido por ti, não existem sons, nem cores que não sejam projectadas por ti e para ti. Não seria jamais fácil ou concebível para mim, uma existência entregue a outro que não eu mesma porque sempre fui quem me bastou, quem segundo tu, se recatou para não ter, para não sofrer, mas eis que passei a ter tudo, demais do muito que passei a desejar de ti.

Enlouqueço-te quando danço, rebolo as ancas e deixo que as minhas mãos deslizem pelos meus seios, barriga, cintura e coxas. “You Put My Love On Top” diz a Beyoncé e eu sinto-me bem no cimo, bem no topo da tua existência! Disseste-me que eu não gostava de dançar, que eu era a dança e que a música completava o meu já vasto repertório. Foi com música que te mostrei as sensações que nos entranham quando nos amamos ao som dela. Passaste a usá-la para tudo, até te via abanar no duche, quando te barbeavas e quando me preparavas o sumo que teria que seguir as tuas instruções para que o meu dia fosse mais completo!

Puseste o meu amor bem lá no cimo e quando já só me alimentava de ti, deixaste-me! Vazia de tudo, sem movimentos, sem reacções, encolhida num canto durante dois dias até que me levantaram e tentaram secar as lágrimas que não paravam de jorrar. Foi debaixo de um duche que mesmo quente me gelou as entranhas, as mesmas que sentiram que jamais estarias em mim, comigo e apenas porque num dia cheio da chuva que amavas porque o seu pingar ruidoso te fazia lembrar de mim, me foste levado, arrancado do meu corpo, alma e risos.
Levaram-te e eu agora vou passar a sobreviver, a arrastar-me, a sentir-me vazia, oca e nem as palavras que eu esbanjava agora querem sair dos meus  lábios. Levaste tudo contigo, levaste-me a mim, mas o meu corpo teimoso ficou para trás, sem movimento, sem reacção, sem nada do que me fazia a mulher que te preenchia. Deixaste-me e pronto, agora já não sou eu, agora sou apenas um corpo sem alma, sou eu sem mim dentro!


Sab | 07.04.12

My Love On Top!

sueamado
Acordei assim, cheia de energia, cheia de vontade de ti e de te dizer o quanto estás na minha vida para ficar, para cuidar. Sim, vou cuidar melhor de ti a partir de hoje. Vou-te encher de tudo o que armazenei para o dia em que alguém como tu entrasse na minha vida. 

Não vou questionar mais nada, prometo, vou apenas beber todas as gotas que saírem de ti, de mim, do que temos juntos. Ok… as mulheres pensam demasiado, verbalizam desnecessariamente, mas até tu mesmo já admitiste que as minhas palavras preenchem o teu universo e te deixam mais completo. Serão as palavras que nos acompanharão sempre, mudando tudo à sua passagem. Os silêncios, esses sim  deixam-nos vazios por dentro, apenas preenchidos por dúvidas, por … “ses”… e se? Eu, como tão bem sabes, não deixo nada por dizer, encho-te e preencho-te de sons que te mostram o quanto de desejo, o quanto te quero e amo! Ainda não tinhas ouvido de nenhuma mulher “os amo-te” que segundo dizes, te vêm mudando a vida. Eu no entanto acordo e nunca adormeço sem te bombardear com os amo-te que te irão acompanhar para o resto da tua e da minha vida. 

Amo-te sempre que me olhas com um sorriso e me estendes o braço para que me aninhe no teu peito, sinto-te forte, responsável pela minha segurança e fico quietinha a ver o teu queixo com a covinha que tantas vezes beijo, sou pequenina, mas chego-te onde te consigo enlouquecer, sobretudo quando te sussurro ao ouvido com um sopro de sensualidade que és o meu homem, que te quero, que preciso de ti forte e dominador dentro de mim a mandares no meu corpo que tão bem conheces e reconheces, sabes o que o faz estremecer, sabes onde me beijar e por onde percorrer o meu corpo com essas mãos gigantes de desejo e certezas. Eu deixo-me arrastar por ti, gemendo e suplicando-te que não pares, que não saias de mim nunca, que me faças tua, todas e quantas vezes o meu corpo aguentar.

Amo-te quando dizes que te preencho e que a forma como fico totalmente molhada logo que me dás o primeiro beijo longo, apaixonado, sem pressas, te faz compreender que o meu corpo foi desenhado para ti, para as tuas mãos, para o sexo que irás meter em mim, decidido. Levantas-me para ti, enquanto me possuis com a certeza de que apenas me virei contigo, em ti, jorrando o meu prazer uma e outra vez. Fazer amor contigo é sexo, carinho, luxúria, pudor, falta dele, dor de um dia não entrares mais em mim. As minhas ancas movimentam-se dançando para que entres e toques em todo o meu corpo. Sorrio-te sempre que me olhas, falamos para nos acordarmos do que não parece possível e calamo-nos para nos sentirmos gemer, respirar, suspirar. Querer-te é o que eu quero. Acordar contigo faz dos meus dias novos começos, recomeços! Não planeei a tua chegada, vivia no alto das minhas metas, queria assim ou assado, mas sempre comigo no comando, mas tu chegaste e tudo mudou, recomeçou para mim, com a intensidade que concebo na minha existência.


És demasiado alto para mim, tive que esticar-me para te chegar aos lábios que cerraste num sorriso, aquele sorriso que me disse teres percebido que eu já era tua, que te iria querer de igual forma, que estaria sempre por perto, que te incluiria, que não te deixaria vazio e que até as minhas palavras que caiem em excesso te enchessem de mim, de ti e de nós!
Não existe espaço que não esteja preenchido por ti, não existem sons, nem cores que não sejam projectadas por ti e para ti. Não seria jamais fácil ou concebível para mim, uma existência entregue a outro que não eu mesma porque sempre fui quem me bastou, quem segundo tu, se recatou para não ter, para não sofrer, mas eis que passei a ter tudo, demais do muito que passei a desejar de ti.

Enlouqueço-te quando danço, rebolo as ancas e deixo que as minhas mãos deslizem pelos meus seios, barriga, cintura e coxas. “You Put My Love On Top” diz a Beyoncé e eu sinto-me bem no cimo, bem no topo da tua existência! Disseste-me que eu não gostava de dançar, que eu era a dança e que a música completava o meu já vasto repertório. Foi com música que te mostrei as sensações que nos entranham quando nos amamos ao som dela. Passaste a usá-la para tudo, até te via abanar no duche, quando te barbeavas e quando me preparavas o sumo que teria que seguir as tuas instruções para que o meu dia fosse mais completo!

Puseste o meu amor bem lá no cimo e quando já só me alimentava de ti, deixaste-me! Vazia de tudo, sem movimentos, sem reacções, encolhida num canto durante dois dias até que me levantaram e tentaram secar as lágrimas que não paravam de jorrar. Foi debaixo de um duche que mesmo quente me gelou as entranhas, as mesmas que sentiram que jamais estarias em mim, comigo e apenas porque num dia cheio da chuva que amavas porque o seu pingar ruidoso te fazia lembrar de mim, me foste levado, arrancado do meu corpo, alma e risos.
Levaram-te e eu agora vou passar a sobreviver, a arrastar-me, a sentir-me vazia, oca e nem as palavras que eu esbanjava agora querem sair dos meus  lábios. Levaste tudo contigo, levaste-me a mim, mas o meu corpo teimoso ficou para trás, sem movimento, sem reacção, sem nada do que me fazia a mulher que te preenchia. Deixaste-me e pronto, agora já não sou eu, agora sou apenas um corpo sem alma, sou eu sem mim dentro!


Sab | 07.04.12

Começar de Novo

sueamado

Julgo que já nem me recordava da última vez em que teria usufruído de umas férias sozinha, com todo o tempo do mundo apenas para mim. Com a separação, após um quarto de século com o mesmo companheiro, pai dos meus três filhotes, comecei a fazer um pouco por mim cada dia. Coisas que fora consecutivamente adiando porque eu nunca tinha lugar, eu não contava, eu era apenas a que dava, servia, amava… Hoje sinto-me de volta, começo a ser a mesma que aos vinte e três anos sabia até onde queria ir, ou melhor, até onde permitiria que me impedissem de ser. Já lá vão uns longos vinte anos e afinal não fui bem sucedida. Deixei que decidissem por mim, que me impusessem um ritmo que não era o meu, deixei…deixei… Essa é a palavra certa, porque na realidade ninguém nos força, nós permitimos.
É estranho estar só, sem companheiro. De repente todo o mundo deixa de girar em torno de duas pessoas que se encontram no final do dia para decidirem o que se fará a seguir, mas de repente, também passa a saber lindamente ter de volta o poder de decisão. Recordo-me vivamente do que mais desejava para mim. Ser independente, senhora do meu nariz, não ter que dar justificações de nada a ninguém. Ansiava pelo momento em que poderia dizer “porque não”, “porque não quero assim”. No entanto apenas me emancipei para os meus pais e familiares, mas coloquei no topo da minha vida outro ser, que não se sabendo de onde vinha nem para o que vinha, julgava eu que seria apenas para me amar, acompanhar e fazer feliz, toma as rédeas da minha vida, me inibe de ser eu mesma e de poder tomar decisões. É no mínimo triste, mas já passou, terminou. Hoje sou eu que para o bem e para o mal decido o que fazer com o dia seguinte.

Aluguei uma casinha junto ao mar e passava longas horas a ouvir as ondas, a dançar ao som das minhas músicas favoritas, a inundar-me de saladas maravilhosamente pouco calóricas e de laranja com sal, pois, eu sempre comi os meus citrinos com sal, vá-se lá saber porquê. Ninguém me exigia refeições, não precisava de acompanhar ritmos, tirando os meus. Dava comigo a nadar até que a pele ficasse enrugada e o sol pondo-se no horizonte me desejasse uma noite tranquila. Fazer o que nos dá na real gana, que luxo fantástico! Ah pois, tomei banho nua e não me importei rigorosamente nada com a eventualidade de estar algum mirone por perto. Se esteve terá certamente ficado maravilhado com um corpo tonificado e escultural que mantenho ainda aos quarenta. Foi o culminar da sensação de liberdade!
Estive três dias sem ir à civilização, foi até que se me acabassem os mantimentos e eis que decidi então sair um pouco, encher-me das revistas que adorava e as quais iria poder ler tranquilamente. Livros só no e-book, mas ainda não lhes tocara. Dormira até ao meio-dia e deitara-me tardíssimo a rever filmes fantásticos a preto e branco. Daqueles que ninguém lá em casa aprecia. Fui a uma superfície comercial que me pareceu gigantesca e demasiado barulhenta, parecia uma alien a circular por entre pessoas sem rosto. Comprei um gelado cheio de natas com cobertura de caramelo, o melhor dos gelados para mim são as natas, porque na realidade ferem-me o céu da boca, e sentei-me tranquila numa esplanada na qual me deliciei a observar quem por mim passava. Deixei-me estar por ali, semi-alheada deste mundo de pressas e apenas a ideia dos meus filhos me fez sentir uma necessidade urgente de ouvir vozes reais. A minha vida mesmo na correria diária e na absoluta inundação de egoísmo e de exigências com que premiavam, jamais faria sentido se não existissem. Foram sempre a razão pela qual me deitei mesmo em total desgaste, mas me levantei com enorme vontade de ferro, porque a eles devo o que quero, pelo que luto e sem eles a caminhada seria vazia e insípida.

- Olá mamã, que bom ouvir-te. – Falava assim o mais pequenino, o meu codézinho. (Termo usado em África para o filho mais novo).
- Olá meu doce, tantas saudades tuas! Estás bem? Como estão a ser os dias? Os manos não te aborrecem…
- Mamã, mãezinha, calma. Eu estou muito bem e ainda não comecei a morrer de saudades tuas.
- Ah! Muito obrigada, afinal não faço falta a ninguém, obrigada por me lembrares.
A sua enorme gargalhada quebrou o gelo e serviu para limpar o mau estar que eu começava a criar para mim mesma. Estavam a crescer, era uma evidência e já não necessitavam de mim para respirar.
- Olá Mãe. - Falou o mais velho, o meu primogénito. Soava a homem, a voz mudara já nos seus dezassete anos, era tranquilo e compenetrado. – Estás bem?
- Sim meu querido, estou, talvez um pouco anestesiada, é estranho estar sem vocês.
- Eu sei mãe, mas aproveita ao máximo porque nós estamos todos bem, os avós também vieram e assim apoiam o pai para ele ir descansando um pouco. Olha que ele saiu com o Rúben, já sabes como ele é, sempre pronto para a rua.
- Sim eu sei e tu meu filho, estás a gostar da praia?
- A adorar, encontrei alguns colegas da ginástica e temos saído à noite.
- Que bom, fico mais tranquila por vos saber bem. Olha, vou agora, diz ao mano que me ligue se quiser e vocês façam-no sempre que desejarem, eu vou logo a correr se precisarem de mim.
- Não vamos precisar. Beijos gigantes e diverte-te tu também. Adoro-te!
E como sempre não esperou pela resposta que já conhecia, adoro-te também   e desligou o telemóvel. De volta a mim, olhei em redor a tentar decidir o que fazer, já tinha as compras e considerava a possibilidade de um cinema ou de uma ida à loja da Pandora, mas nenhuma das opções me animava. Eis então que me sinto observada, a nuca como que na mira de um laser e tive que me voltar. Sorriu-me tranquilo e determinado. Que olhos azuis insinuantes, tinha uns lábios carnudos sob os quais vislumbrava dentes certos e brancos. Bolas que homem bonito! Fiquei sem saber o que fazer a seguir, nunca reagira muito bem a este tipo de “ataque”, a tendência era a de fugir mesmo, mas não o fiz. Virei-me e deixei-me ficar a desfolhar distraidamente uma das revistas, ansiando para que se fosse e me deixasse tranquilamente no anonimato. Mas não o fez.

- Olá, posso? - Perguntou apontando para uma cadeira à minha frente.
- E porque gostaria de se sentar comigo? – Perguntei semi-arrogante.
- Primeiro sento-me, com licença, e depois explico. Ensaiou a voz num tossir engraçado e arrancou a toda a velocidade.
- Porque é lindíssima, como já não via faz… Pausa algo longa…algum tempo.  Muito enigmática, vê-se que transpira sensualidade, é demasiado visível e esses lábios…bem os lábios convidam a beijos longos e …
- Ok, entendi obrigada, não precisa de se alongar mais. Afinal já está sentado mesmo.
- Está de férias, já percebi, que bronzeado lindo, mas palpita-me que seja natural, e sozinha?
- Sim e sim.
- Que bom, aos dois sins!
- Onde está alojada posso saber?
- Na aldeia dos pescadores, está lá uma casinha azul…
- E amarela, linda e pequenina, com uma lareira que faz as nossas delícias nas noites mais frias, já sei!
- Então foi esta linda mulher quem me roubou o meu lugar de eleição. Vai ter que me compensar com um jantar.

- Está-se a fazer de convidado?
- Pois estou, é o mínimo. Passei os últimos dois períodos de férias nessa cottage maravilhosa e eis que a… - pausa para que eu disse-se o nome.
- Sandra.
- Prazer Sandra, sou o José! Eis que a Sandra a rouba de mim.
- E o que gosta o José de comer, já que convido, um pouco à força, mas  convido.
- Sou de boa boca, como de tudo, até pizza congelada se não souber cozinhar.
Largou um sorriso rasgado e lindo que me deixou surpreendida comigo mesma. Que atracção estranha estava a sentir, era sem dúvida um homem interessantíssimo, elegante e confiante. Todos os seus poros transpiravam segurança e determinação.
- Cozinho lindamente, não vai ter do que reclamar. A que horas pretende aparecer?
- Agora. Vou consigo. Enquanto cozinha faço todas as perguntas sobre si, quero saber tudo até que número usa.
- De sapatos? Trinta e sete.
- Nãaaa, de soutien!
Terei ficado de boca aberta e expressão incrédula, porque me largou nova gargalhada de puro divertimento.
- Que linda fica assim envergonhada!
- Very funny! Bom, vamos lá então, não me resta mais nada senão arrastá-lo.
- Nop, mas quem a está a arrastar sou eu, no entanto não se vai arrepender porque também tenho nos meus sacos de compras delícias que a irão surpreender.
O que estava eu a fazer afinal? Este homem tresandava a sarilhos e deixava-me realmente sem jeito e essa era uma sensação bastante desconfortável diga-se de passagem.
Seguiu-me no seu carro descapotável, era um Toyota antigo mas de colecção certamente. Eu ia-o espreitando pelo retrovisor, com os óculos de sol parecia um actor de cinema.
Caramba, estas coisas não acontecessem a mulheres como eu! E lá andou a cirandar atrás de mim enquanto eu cozinhava um strogonoff de frango. Colocou martini rosé nas taças e ia-me dando a beber da minha, olhando-me fundo nos olhos.
Não permitia que usasse as minhas mãos e fazia questão de roçar suavemente a taça nos meus lábios, quase derramando um pouco para que me pudesse lamber. À terceira vez fui mais maliciosa e prolonguei a passagem da minha língua. Deixei-o semi-louco.
- Se o volta a fazer beijo-a, roubo-lhe o ar.
Desta vez a gargalhada foi minha e eis que agarrando-me pelas ancas me deu um beijo longo, molhado, profundo, cheio de tesão, de vontade de mim.
- Bolas, o que foi isso?
- Quer mais?
- NÃO!! disse assustada. Vamos comer, o jantar está pronto.
Fomos para o terraço, com o mar de frente e com uma ligeira brisa e cheiro a iodo que ainda nos fazia ansiar mais pela comida que eu já sabia saborosa.
- Ena ena, parabéns, afinal também cozinha maravilhosamente. Pronto, casa comigo e não se discute sequer.
- Ah pois, então não. Mais nenhum homem se voltará a aproximar, nem de corpo nem de alma!
- Conversa da treta! Depois de eu a trabalhar, vai ficar rendida aos meus encantos e depois sim não vai querer mais nenhum homem por perto, simplesmente porque não irá precisar!

- Não somos nada convencidos. Vá, Coma,  aprecie e cale-se!
Falámos de tudo, de nós, dos nossos, soube que também ele se divorciara fazia já três anos, mas não tivera filhos. As profissões exigentes de ambos, médicos cirurgiões, adiaram sucessivamente a decisão até não existir mais nada que os mantivesse juntos e com projectos comuns. Não restara nada!
A noite já ia alta quando decidimos levantar a loiça da mesa que me ajudou a colocar no lava-loiças e eis que enquanto eu a lavava se aproximou de mim por trás e com as mãos começou a esfregar as minhas na espuma que se formara.
- Por favor…
- Shiuuuuu! Não fales, sente. Deixa de controlar, não penses! Posso-te tratar por tu?
- Nesta altura do campeonato, mas não é assim tão fácil descontrair. – Disse-lhe voltando-me.
Com os dedos nos meus lábios calou-me, e com aqueles olhos que me perscrutavam a alma fez-me render. Agarrou-me ao colo e levou-me para o chão do quarto. Pousou-me gentilmente e levantou-se gigantesco e dominante. Despiu-se enquanto o olhava e tremia por dentro. Que bonito era. Já não pensava em resistir-lhe, apenas em o sentir, muito, todo dentro de mim. A fazer-me explodir de prazer.
- Vou-te lamber toda, morder-te e sugar-te, vou-te ter uma e outra vez, até que me peças para parar. Vais ser minha como já deves ter sido numa outra vida, porque já te tive antes, estás apenas a voltar para mim.
Não vou conseguir jamais pôr em palavras o que me deu, o prazer que senti, os decibéis que seria capaz de libertar se ao menos a minha voz saísse. Mas nada, limitava-me a gemer, a mover-me compassada por baixo dele. Vira-me e levantava-me no ar, uma e outra vez, ensaiando até as posições que não conhecia. Nunca protestei, não teria adiantado. Teve-me por trás, por cima, por baixo, sugou-me os lábios, chupou-me até que me viesse uma e outra vez e eis que fui forçada a pedir-lhe.
- Mais não, por favor José, mais não. Não aguento mais!
- Está bem pequenina, vou parar agora, ainda não me saciei de ti, mas vou deixar que recuperes, apenas para te ter mais, uma e outra vez…
Foi mágico, foi o reencontro com a minha essência. Nunca mais nada poderá voltar a ser igual, simplesmente porque jamais alguém me fez sentir tanto, deu tanto, foi tanto…Este homem que o acaso pôs no meu caminho, permitiu-me começar de novo, ter para mim e em mim o que o universo me prometeu. Um dia, numa casa, num verão sob as estrelas. Eu nem sei se o céu teria estrelas nesse dia, mas por dentro tudo se iluminou. Não foi dos martinis, “no Sir!”


Sab | 07.04.12

Começar de Novo

sueamado

Julgo que já nem me recordava da última vez em que teria usufruído de umas férias sozinha, com todo o tempo do mundo apenas para mim. Com a separação, após um quarto de século com o mesmo companheiro, pai dos meus três filhotes, comecei a fazer um pouco por mim cada dia. Coisas que fora consecutivamente adiando porque eu nunca tinha lugar, eu não contava, eu era apenas a que dava, servia, amava… Hoje sinto-me de volta, começo a ser a mesma que aos vinte e três anos sabia até onde queria ir, ou melhor, até onde permitiria que me impedissem de ser. Já lá vão uns longos vinte anos e afinal não fui bem sucedida. Deixei que decidissem por mim, que me impusessem um ritmo que não era o meu, deixei…deixei… Essa é a palavra certa, porque na realidade ninguém nos força, nós permitimos.
É estranho estar só, sem companheiro. De repente todo o mundo deixa de girar em torno de duas pessoas que se encontram no final do dia para decidirem o que se fará a seguir, mas de repente, também passa a saber lindamente ter de volta o poder de decisão. Recordo-me vivamente do que mais desejava para mim. Ser independente, senhora do meu nariz, não ter que dar justificações de nada a ninguém. Ansiava pelo momento em que poderia dizer “porque não”, “porque não quero assim”. No entanto apenas me emancipei para os meus pais e familiares, mas coloquei no topo da minha vida outro ser, que não se sabendo de onde vinha nem para o que vinha, julgava eu que seria apenas para me amar, acompanhar e fazer feliz, toma as rédeas da minha vida, me inibe de ser eu mesma e de poder tomar decisões. É no mínimo triste, mas já passou, terminou. Hoje sou eu que para o bem e para o mal decido o que fazer com o dia seguinte.

Aluguei uma casinha junto ao mar e passava longas horas a ouvir as ondas, a dançar ao som das minhas músicas favoritas, a inundar-me de saladas maravilhosamente pouco calóricas e de laranja com sal, pois, eu sempre comi os meus citrinos com sal, vá-se lá saber porquê. Ninguém me exigia refeições, não precisava de acompanhar ritmos, tirando os meus. Dava comigo a nadar até que a pele ficasse enrugada e o sol pondo-se no horizonte me desejasse uma noite tranquila. Fazer o que nos dá na real gana, que luxo fantástico! Ah pois, tomei banho nua e não me importei rigorosamente nada com a eventualidade de estar algum mirone por perto. Se esteve terá certamente ficado maravilhado com um corpo tonificado e escultural que mantenho ainda aos quarenta. Foi o culminar da sensação de liberdade!
Estive três dias sem ir à civilização, foi até que se me acabassem os mantimentos e eis que decidi então sair um pouco, encher-me das revistas que adorava e as quais iria poder ler tranquilamente. Livros só no e-book, mas ainda não lhes tocara. Dormira até ao meio-dia e deitara-me tardíssimo a rever filmes fantásticos a preto e branco. Daqueles que ninguém lá em casa aprecia. Fui a uma superfície comercial que me pareceu gigantesca e demasiado barulhenta, parecia uma alien a circular por entre pessoas sem rosto. Comprei um gelado cheio de natas com cobertura de caramelo, o melhor dos gelados para mim são as natas, porque na realidade ferem-me o céu da boca, e sentei-me tranquila numa esplanada na qual me deliciei a observar quem por mim passava. Deixei-me estar por ali, semi-alheada deste mundo de pressas e apenas a ideia dos meus filhos me fez sentir uma necessidade urgente de ouvir vozes reais. A minha vida mesmo na correria diária e na absoluta inundação de egoísmo e de exigências com que premiavam, jamais faria sentido se não existissem. Foram sempre a razão pela qual me deitei mesmo em total desgaste, mas me levantei com enorme vontade de ferro, porque a eles devo o que quero, pelo que luto e sem eles a caminhada seria vazia e insípida.

- Olá mamã, que bom ouvir-te. – Falava assim o mais pequenino, o meu codézinho. (Termo usado em África para o filho mais novo).
- Olá meu doce, tantas saudades tuas! Estás bem? Como estão a ser os dias? Os manos não te aborrecem…
- Mamã, mãezinha, calma. Eu estou muito bem e ainda não comecei a morrer de saudades tuas.
- Ah! Muito obrigada, afinal não faço falta a ninguém, obrigada por me lembrares.
A sua enorme gargalhada quebrou o gelo e serviu para limpar o mau estar que eu começava a criar para mim mesma. Estavam a crescer, era uma evidência e já não necessitavam de mim para respirar.
- Olá Mãe. - Falou o mais velho, o meu primogénito. Soava a homem, a voz mudara já nos seus dezassete anos, era tranquilo e compenetrado. – Estás bem?
- Sim meu querido, estou, talvez um pouco anestesiada, é estranho estar sem vocês.
- Eu sei mãe, mas aproveita ao máximo porque nós estamos todos bem, os avós também vieram e assim apoiam o pai para ele ir descansando um pouco. Olha que ele saiu com o Rúben, já sabes como ele é, sempre pronto para a rua.
- Sim eu sei e tu meu filho, estás a gostar da praia?
- A adorar, encontrei alguns colegas da ginástica e temos saído à noite.
- Que bom, fico mais tranquila por vos saber bem. Olha, vou agora, diz ao mano que me ligue se quiser e vocês façam-no sempre que desejarem, eu vou logo a correr se precisarem de mim.
- Não vamos precisar. Beijos gigantes e diverte-te tu também. Adoro-te!
E como sempre não esperou pela resposta que já conhecia, adoro-te também   e desligou o telemóvel. De volta a mim, olhei em redor a tentar decidir o que fazer, já tinha as compras e considerava a possibilidade de um cinema ou de uma ida à loja da Pandora, mas nenhuma das opções me animava. Eis então que me sinto observada, a nuca como que na mira de um laser e tive que me voltar. Sorriu-me tranquilo e determinado. Que olhos azuis insinuantes, tinha uns lábios carnudos sob os quais vislumbrava dentes certos e brancos. Bolas que homem bonito! Fiquei sem saber o que fazer a seguir, nunca reagira muito bem a este tipo de “ataque”, a tendência era a de fugir mesmo, mas não o fiz. Virei-me e deixei-me ficar a desfolhar distraidamente uma das revistas, ansiando para que se fosse e me deixasse tranquilamente no anonimato. Mas não o fez.

- Olá, posso? - Perguntou apontando para uma cadeira à minha frente.
- E porque gostaria de se sentar comigo? – Perguntei semi-arrogante.
- Primeiro sento-me, com licença, e depois explico. Ensaiou a voz num tossir engraçado e arrancou a toda a velocidade.
- Porque é lindíssima, como já não via faz… Pausa algo longa…algum tempo.  Muito enigmática, vê-se que transpira sensualidade, é demasiado visível e esses lábios…bem os lábios convidam a beijos longos e …
- Ok, entendi obrigada, não precisa de se alongar mais. Afinal já está sentado mesmo.
- Está de férias, já percebi, que bronzeado lindo, mas palpita-me que seja natural, e sozinha?
- Sim e sim.
- Que bom, aos dois sins!
- Onde está alojada posso saber?
- Na aldeia dos pescadores, está lá uma casinha azul…
- E amarela, linda e pequenina, com uma lareira que faz as nossas delícias nas noites mais frias, já sei!
- Então foi esta linda mulher quem me roubou o meu lugar de eleição. Vai ter que me compensar com um jantar.

- Está-se a fazer de convidado?
- Pois estou, é o mínimo. Passei os últimos dois períodos de férias nessa cottage maravilhosa e eis que a… - pausa para que eu disse-se o nome.
- Sandra.
- Prazer Sandra, sou o José! Eis que a Sandra a rouba de mim.
- E o que gosta o José de comer, já que convido, um pouco à força, mas  convido.
- Sou de boa boca, como de tudo, até pizza congelada se não souber cozinhar.
Largou um sorriso rasgado e lindo que me deixou surpreendida comigo mesma. Que atracção estranha estava a sentir, era sem dúvida um homem interessantíssimo, elegante e confiante. Todos os seus poros transpiravam segurança e determinação.
- Cozinho lindamente, não vai ter do que reclamar. A que horas pretende aparecer?
- Agora. Vou consigo. Enquanto cozinha faço todas as perguntas sobre si, quero saber tudo até que número usa.
- De sapatos? Trinta e sete.
- Nãaaa, de soutien!
Terei ficado de boca aberta e expressão incrédula, porque me largou nova gargalhada de puro divertimento.
- Que linda fica assim envergonhada!
- Very funny! Bom, vamos lá então, não me resta mais nada senão arrastá-lo.
- Nop, mas quem a está a arrastar sou eu, no entanto não se vai arrepender porque também tenho nos meus sacos de compras delícias que a irão surpreender.
O que estava eu a fazer afinal? Este homem tresandava a sarilhos e deixava-me realmente sem jeito e essa era uma sensação bastante desconfortável diga-se de passagem.
Seguiu-me no seu carro descapotável, era um Toyota antigo mas de colecção certamente. Eu ia-o espreitando pelo retrovisor, com os óculos de sol parecia um actor de cinema.
Caramba, estas coisas não acontecessem a mulheres como eu! E lá andou a cirandar atrás de mim enquanto eu cozinhava um strogonoff de frango. Colocou martini rosé nas taças e ia-me dando a beber da minha, olhando-me fundo nos olhos.
Não permitia que usasse as minhas mãos e fazia questão de roçar suavemente a taça nos meus lábios, quase derramando um pouco para que me pudesse lamber. À terceira vez fui mais maliciosa e prolonguei a passagem da minha língua. Deixei-o semi-louco.
- Se o volta a fazer beijo-a, roubo-lhe o ar.
Desta vez a gargalhada foi minha e eis que agarrando-me pelas ancas me deu um beijo longo, molhado, profundo, cheio de tesão, de vontade de mim.
- Bolas, o que foi isso?
- Quer mais?
- NÃO!! disse assustada. Vamos comer, o jantar está pronto.
Fomos para o terraço, com o mar de frente e com uma ligeira brisa e cheiro a iodo que ainda nos fazia ansiar mais pela comida que eu já sabia saborosa.
- Ena ena, parabéns, afinal também cozinha maravilhosamente. Pronto, casa comigo e não se discute sequer.
- Ah pois, então não. Mais nenhum homem se voltará a aproximar, nem de corpo nem de alma!
- Conversa da treta! Depois de eu a trabalhar, vai ficar rendida aos meus encantos e depois sim não vai querer mais nenhum homem por perto, simplesmente porque não irá precisar!

- Não somos nada convencidos. Vá, Coma,  aprecie e cale-se!
Falámos de tudo, de nós, dos nossos, soube que também ele se divorciara fazia já três anos, mas não tivera filhos. As profissões exigentes de ambos, médicos cirurgiões, adiaram sucessivamente a decisão até não existir mais nada que os mantivesse juntos e com projectos comuns. Não restara nada!
A noite já ia alta quando decidimos levantar a loiça da mesa que me ajudou a colocar no lava-loiças e eis que enquanto eu a lavava se aproximou de mim por trás e com as mãos começou a esfregar as minhas na espuma que se formara.
- Por favor…
- Shiuuuuu! Não fales, sente. Deixa de controlar, não penses! Posso-te tratar por tu?
- Nesta altura do campeonato, mas não é assim tão fácil descontrair. – Disse-lhe voltando-me.
Com os dedos nos meus lábios calou-me, e com aqueles olhos que me perscrutavam a alma fez-me render. Agarrou-me ao colo e levou-me para o chão do quarto. Pousou-me gentilmente e levantou-se gigantesco e dominante. Despiu-se enquanto o olhava e tremia por dentro. Que bonito era. Já não pensava em resistir-lhe, apenas em o sentir, muito, todo dentro de mim. A fazer-me explodir de prazer.
- Vou-te lamber toda, morder-te e sugar-te, vou-te ter uma e outra vez, até que me peças para parar. Vais ser minha como já deves ter sido numa outra vida, porque já te tive antes, estás apenas a voltar para mim.
Não vou conseguir jamais pôr em palavras o que me deu, o prazer que senti, os decibéis que seria capaz de libertar se ao menos a minha voz saísse. Mas nada, limitava-me a gemer, a mover-me compassada por baixo dele. Vira-me e levantava-me no ar, uma e outra vez, ensaiando até as posições que não conhecia. Nunca protestei, não teria adiantado. Teve-me por trás, por cima, por baixo, sugou-me os lábios, chupou-me até que me viesse uma e outra vez e eis que fui forçada a pedir-lhe.
- Mais não, por favor José, mais não. Não aguento mais!
- Está bem pequenina, vou parar agora, ainda não me saciei de ti, mas vou deixar que recuperes, apenas para te ter mais, uma e outra vez…
Foi mágico, foi o reencontro com a minha essência. Nunca mais nada poderá voltar a ser igual, simplesmente porque jamais alguém me fez sentir tanto, deu tanto, foi tanto…Este homem que o acaso pôs no meu caminho, permitiu-me começar de novo, ter para mim e em mim o que o universo me prometeu. Um dia, numa casa, num verão sob as estrelas. Eu nem sei se o céu teria estrelas nesse dia, mas por dentro tudo se iluminou. Não foi dos martinis, “no Sir!”


Sab | 07.04.12

Começar de Novo

sueamado

Julgo que já nem me recordava da última vez em que teria usufruído de umas férias sozinha, com todo o tempo do mundo apenas para mim. Com a separação, após um quarto de século com o mesmo companheiro, pai dos meus três filhotes, comecei a fazer um pouco por mim cada dia. Coisas que fora consecutivamente adiando porque eu nunca tinha lugar, eu não contava, eu era apenas a que dava, servia, amava… Hoje sinto-me de volta, começo a ser a mesma que aos vinte e três anos sabia até onde queria ir, ou melhor, até onde permitiria que me impedissem de ser. Já lá vão uns longos vinte anos e afinal não fui bem sucedida. Deixei que decidissem por mim, que me impusessem um ritmo que não era o meu, deixei…deixei… Essa é a palavra certa, porque na realidade ninguém nos força, nós permitimos.
É estranho estar só, sem companheiro. De repente todo o mundo deixa de girar em torno de duas pessoas que se encontram no final do dia para decidirem o que se fará a seguir, mas de repente, também passa a saber lindamente ter de volta o poder de decisão. Recordo-me vivamente do que mais desejava para mim. Ser independente, senhora do meu nariz, não ter que dar justificações de nada a ninguém. Ansiava pelo momento em que poderia dizer “porque não”, “porque não quero assim”. No entanto apenas me emancipei para os meus pais e familiares, mas coloquei no topo da minha vida outro ser, que não se sabendo de onde vinha nem para o que vinha, julgava eu que seria apenas para me amar, acompanhar e fazer feliz, toma as rédeas da minha vida, me inibe de ser eu mesma e de poder tomar decisões. É no mínimo triste, mas já passou, terminou. Hoje sou eu que para o bem e para o mal decido o que fazer com o dia seguinte.

Aluguei uma casinha junto ao mar e passava longas horas a ouvir as ondas, a dançar ao som das minhas músicas favoritas, a inundar-me de saladas maravilhosamente pouco calóricas e de laranja com sal, pois, eu sempre comi os meus citrinos com sal, vá-se lá saber porquê. Ninguém me exigia refeições, não precisava de acompanhar ritmos, tirando os meus. Dava comigo a nadar até que a pele ficasse enrugada e o sol pondo-se no horizonte me desejasse uma noite tranquila. Fazer o que nos dá na real gana, que luxo fantástico! Ah pois, tomei banho nua e não me importei rigorosamente nada com a eventualidade de estar algum mirone por perto. Se esteve terá certamente ficado maravilhado com um corpo tonificado e escultural que mantenho ainda aos quarenta. Foi o culminar da sensação de liberdade!
Estive três dias sem ir à civilização, foi até que se me acabassem os mantimentos e eis que decidi então sair um pouco, encher-me das revistas que adorava e as quais iria poder ler tranquilamente. Livros só no e-book, mas ainda não lhes tocara. Dormira até ao meio-dia e deitara-me tardíssimo a rever filmes fantásticos a preto e branco. Daqueles que ninguém lá em casa aprecia. Fui a uma superfície comercial que me pareceu gigantesca e demasiado barulhenta, parecia uma alien a circular por entre pessoas sem rosto. Comprei um gelado cheio de natas com cobertura de caramelo, o melhor dos gelados para mim são as natas, porque na realidade ferem-me o céu da boca, e sentei-me tranquila numa esplanada na qual me deliciei a observar quem por mim passava. Deixei-me estar por ali, semi-alheada deste mundo de pressas e apenas a ideia dos meus filhos me fez sentir uma necessidade urgente de ouvir vozes reais. A minha vida mesmo na correria diária e na absoluta inundação de egoísmo e de exigências com que premiavam, jamais faria sentido se não existissem. Foram sempre a razão pela qual me deitei mesmo em total desgaste, mas me levantei com enorme vontade de ferro, porque a eles devo o que quero, pelo que luto e sem eles a caminhada seria vazia e insípida.

- Olá mamã, que bom ouvir-te. – Falava assim o mais pequenino, o meu codézinho. (Termo usado em África para o filho mais novo).
- Olá meu doce, tantas saudades tuas! Estás bem? Como estão a ser os dias? Os manos não te aborrecem…
- Mamã, mãezinha, calma. Eu estou muito bem e ainda não comecei a morrer de saudades tuas.
- Ah! Muito obrigada, afinal não faço falta a ninguém, obrigada por me lembrares.
A sua enorme gargalhada quebrou o gelo e serviu para limpar o mau estar que eu começava a criar para mim mesma. Estavam a crescer, era uma evidência e já não necessitavam de mim para respirar.
- Olá Mãe. - Falou o mais velho, o meu primogénito. Soava a homem, a voz mudara já nos seus dezassete anos, era tranquilo e compenetrado. – Estás bem?
- Sim meu querido, estou, talvez um pouco anestesiada, é estranho estar sem vocês.
- Eu sei mãe, mas aproveita ao máximo porque nós estamos todos bem, os avós também vieram e assim apoiam o pai para ele ir descansando um pouco. Olha que ele saiu com o Rúben, já sabes como ele é, sempre pronto para a rua.
- Sim eu sei e tu meu filho, estás a gostar da praia?
- A adorar, encontrei alguns colegas da ginástica e temos saído à noite.
- Que bom, fico mais tranquila por vos saber bem. Olha, vou agora, diz ao mano que me ligue se quiser e vocês façam-no sempre que desejarem, eu vou logo a correr se precisarem de mim.
- Não vamos precisar. Beijos gigantes e diverte-te tu também. Adoro-te!
E como sempre não esperou pela resposta que já conhecia, adoro-te também   e desligou o telemóvel. De volta a mim, olhei em redor a tentar decidir o que fazer, já tinha as compras e considerava a possibilidade de um cinema ou de uma ida à loja da Pandora, mas nenhuma das opções me animava. Eis então que me sinto observada, a nuca como que na mira de um laser e tive que me voltar. Sorriu-me tranquilo e determinado. Que olhos azuis insinuantes, tinha uns lábios carnudos sob os quais vislumbrava dentes certos e brancos. Bolas que homem bonito! Fiquei sem saber o que fazer a seguir, nunca reagira muito bem a este tipo de “ataque”, a tendência era a de fugir mesmo, mas não o fiz. Virei-me e deixei-me ficar a desfolhar distraidamente uma das revistas, ansiando para que se fosse e me deixasse tranquilamente no anonimato. Mas não o fez.

- Olá, posso? - Perguntou apontando para uma cadeira à minha frente.
- E porque gostaria de se sentar comigo? – Perguntei semi-arrogante.
- Primeiro sento-me, com licença, e depois explico. Ensaiou a voz num tossir engraçado e arrancou a toda a velocidade.
- Porque é lindíssima, como já não via faz… Pausa algo longa…algum tempo.  Muito enigmática, vê-se que transpira sensualidade, é demasiado visível e esses lábios…bem os lábios convidam a beijos longos e …
- Ok, entendi obrigada, não precisa de se alongar mais. Afinal já está sentado mesmo.
- Está de férias, já percebi, que bronzeado lindo, mas palpita-me que seja natural, e sozinha?
- Sim e sim.
- Que bom, aos dois sins!
- Onde está alojada posso saber?
- Na aldeia dos pescadores, está lá uma casinha azul…
- E amarela, linda e pequenina, com uma lareira que faz as nossas delícias nas noites mais frias, já sei!
- Então foi esta linda mulher quem me roubou o meu lugar de eleição. Vai ter que me compensar com um jantar.

- Está-se a fazer de convidado?
- Pois estou, é o mínimo. Passei os últimos dois períodos de férias nessa cottage maravilhosa e eis que a… - pausa para que eu disse-se o nome.
- Sandra.
- Prazer Sandra, sou o José! Eis que a Sandra a rouba de mim.
- E o que gosta o José de comer, já que convido, um pouco à força, mas  convido.
- Sou de boa boca, como de tudo, até pizza congelada se não souber cozinhar.
Largou um sorriso rasgado e lindo que me deixou surpreendida comigo mesma. Que atracção estranha estava a sentir, era sem dúvida um homem interessantíssimo, elegante e confiante. Todos os seus poros transpiravam segurança e determinação.
- Cozinho lindamente, não vai ter do que reclamar. A que horas pretende aparecer?
- Agora. Vou consigo. Enquanto cozinha faço todas as perguntas sobre si, quero saber tudo até que número usa.
- De sapatos? Trinta e sete.
- Nãaaa, de soutien!
Terei ficado de boca aberta e expressão incrédula, porque me largou nova gargalhada de puro divertimento.
- Que linda fica assim envergonhada!
- Very funny! Bom, vamos lá então, não me resta mais nada senão arrastá-lo.
- Nop, mas quem a está a arrastar sou eu, no entanto não se vai arrepender porque também tenho nos meus sacos de compras delícias que a irão surpreender.
O que estava eu a fazer afinal? Este homem tresandava a sarilhos e deixava-me realmente sem jeito e essa era uma sensação bastante desconfortável diga-se de passagem.
Seguiu-me no seu carro descapotável, era um Toyota antigo mas de colecção certamente. Eu ia-o espreitando pelo retrovisor, com os óculos de sol parecia um actor de cinema.
Caramba, estas coisas não acontecessem a mulheres como eu! E lá andou a cirandar atrás de mim enquanto eu cozinhava um strogonoff de frango. Colocou martini rosé nas taças e ia-me dando a beber da minha, olhando-me fundo nos olhos.
Não permitia que usasse as minhas mãos e fazia questão de roçar suavemente a taça nos meus lábios, quase derramando um pouco para que me pudesse lamber. À terceira vez fui mais maliciosa e prolonguei a passagem da minha língua. Deixei-o semi-louco.
- Se o volta a fazer beijo-a, roubo-lhe o ar.
Desta vez a gargalhada foi minha e eis que agarrando-me pelas ancas me deu um beijo longo, molhado, profundo, cheio de tesão, de vontade de mim.
- Bolas, o que foi isso?
- Quer mais?
- NÃO!! disse assustada. Vamos comer, o jantar está pronto.
Fomos para o terraço, com o mar de frente e com uma ligeira brisa e cheiro a iodo que ainda nos fazia ansiar mais pela comida que eu já sabia saborosa.
- Ena ena, parabéns, afinal também cozinha maravilhosamente. Pronto, casa comigo e não se discute sequer.
- Ah pois, então não. Mais nenhum homem se voltará a aproximar, nem de corpo nem de alma!
- Conversa da treta! Depois de eu a trabalhar, vai ficar rendida aos meus encantos e depois sim não vai querer mais nenhum homem por perto, simplesmente porque não irá precisar!

- Não somos nada convencidos. Vá, Coma,  aprecie e cale-se!
Falámos de tudo, de nós, dos nossos, soube que também ele se divorciara fazia já três anos, mas não tivera filhos. As profissões exigentes de ambos, médicos cirurgiões, adiaram sucessivamente a decisão até não existir mais nada que os mantivesse juntos e com projectos comuns. Não restara nada!
A noite já ia alta quando decidimos levantar a loiça da mesa que me ajudou a colocar no lava-loiças e eis que enquanto eu a lavava se aproximou de mim por trás e com as mãos começou a esfregar as minhas na espuma que se formara.
- Por favor…
- Shiuuuuu! Não fales, sente. Deixa de controlar, não penses! Posso-te tratar por tu?
- Nesta altura do campeonato, mas não é assim tão fácil descontrair. – Disse-lhe voltando-me.
Com os dedos nos meus lábios calou-me, e com aqueles olhos que me perscrutavam a alma fez-me render. Agarrou-me ao colo e levou-me para o chão do quarto. Pousou-me gentilmente e levantou-se gigantesco e dominante. Despiu-se enquanto o olhava e tremia por dentro. Que bonito era. Já não pensava em resistir-lhe, apenas em o sentir, muito, todo dentro de mim. A fazer-me explodir de prazer.
- Vou-te lamber toda, morder-te e sugar-te, vou-te ter uma e outra vez, até que me peças para parar. Vais ser minha como já deves ter sido numa outra vida, porque já te tive antes, estás apenas a voltar para mim.
Não vou conseguir jamais pôr em palavras o que me deu, o prazer que senti, os decibéis que seria capaz de libertar se ao menos a minha voz saísse. Mas nada, limitava-me a gemer, a mover-me compassada por baixo dele. Vira-me e levantava-me no ar, uma e outra vez, ensaiando até as posições que não conhecia. Nunca protestei, não teria adiantado. Teve-me por trás, por cima, por baixo, sugou-me os lábios, chupou-me até que me viesse uma e outra vez e eis que fui forçada a pedir-lhe.
- Mais não, por favor José, mais não. Não aguento mais!
- Está bem pequenina, vou parar agora, ainda não me saciei de ti, mas vou deixar que recuperes, apenas para te ter mais, uma e outra vez…
Foi mágico, foi o reencontro com a minha essência. Nunca mais nada poderá voltar a ser igual, simplesmente porque jamais alguém me fez sentir tanto, deu tanto, foi tanto…Este homem que o acaso pôs no meu caminho, permitiu-me começar de novo, ter para mim e em mim o que o universo me prometeu. Um dia, numa casa, num verão sob as estrelas. Eu nem sei se o céu teria estrelas nesse dia, mas por dentro tudo se iluminou. Não foi dos martinis, “no Sir!”


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