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Feel Me

Sou tudo o que escrevo e escrever é o que me move!

Feel Me

Sou tudo o que escrevo e escrever é o que me move!

Dom | 29.04.12

Saw You!

sueamado

Encontrámo-nos à porta de um centro comercial de uma terra que não nos dizia nada, nem a ti nem a mim, mas que ficava a meio caminho para os dois. A curiosidade que ambos sentíamos em saber como seria a pessoa por detrás da voz já tinha chegado ao ponto de, “I can´t stand it any longer”. Sempre que falava-mos ao telefone, sobre os mais diversos assuntos, os timbres, sobretudo o meu como teimavas em dizer, fazia-nos enlouquecer de vontade. Eu aparento sempre uma tranquilidade enganadora, e tu, um desespero inexplicável.

- Calma miúdo, por que estás tão ansioso?

- Miúdo, eu? Pois, deixas-me assim, a tua voz enlouquece-me.

- Imagina que te desiludes.

- Nem pensar, estou mais do que certo de que vais corresponder ao que imagino de ti.


Interessante como eu não imaginava absolutamente nada de ti, nem face, nem expressões, absolutamente nada, julgo que seria auto - defesa, mas na verdade não criei expectativas, não queria e não podia.

Identificaste-me pelo carro e pelos cabelos compridos cor de cobre. A tonalidade era demasiado invulgar e contrastava com os olhos enormes de um verde - escuro melancólico sob umas pestanas longas e igualmente acobreadas. Nunca passava despercebida em lugar algum, mesmo que assim o desejasse. O meu metro e setenta sob umas longas pernas e um busto generoso compunham o restante quadro.


- Uau! Eu imaginava, mas assim? Que mulherão!

Larguei-te um sorriso rasgado, estava tranquila por fora, mas sentia um leve tremor interior, tu tinhas atrás de ti um sinal de perigo e agora já o tinha desrespeitado. Apareceste-me enorme, de ombros largos e com um olhar que inspirava confiança. Demos um longo abraço, cheirei-te intensamente, entranhaste-te em mim e nas minhas roupas. Adorei o teu sorriso e os teus lábios carnudos e rosados. Tive uma vontade enorme de os beijar, mas controlei-me e dei-te a face que beijaste longamente e bem junto aos meus lábios. Sussurraste-me que eu era bem mais do que alguma vez poderias imaginar. Sentámo-nos a beber um café que sobrou na chávena. Queríamos falar de tudo, sobre tudo o que nos interessava, as pessoas à nossa volta não importavam, não as víamos sequer.

- Vamos para um lugar mais tranquilo?

- Sim, vamos - respondi-te eu sem sequer supor que o que já pretendias era ter-me, mas acabámos na garagem do centro, dentro do teu carro, com um cd de música espanhola, suave e muito agradável. Lembro-me que te perguntei quem cantava, mas rápido me esqueci do nome e só te escutei a ti. Tiraste o casaco que deixaste no banco de trás do carro e assim que te sentaste ao meu lado, agarraste-me a cara, que aninhaste em ambas as mãos, e deste-me o beijo mais quente, doce e reconfortante que alguma vez recebi. Correspondi totalmente para meu enorme espanto, não te desviei ou tentei que parasses, durou uma eternidade, não foi sôfrego nem desesperado, foi intenso, cheio de vontade, de nós, do que já ansiávamos há muito, foi o beijo que qualquer mulher deseja. Nesses longos, breves segundos, foste totalmente meu, passaste-me tudo o que sabes e és.

- Porque olhas para mim assim?

- Porque és igualmente bonita por dentro e por fora. Tens noção que acabámos de fazer amor? Sentiste o mesmo que eu, ou fui demasiado rápido para o que esperavas?

- Foste tudo, até o que não esperava. Que bom que vim, que te conheci.

- Estás a pensar no depois?

- Não meu querido, o depois ainda não chegou, o agora és tu, aqui, comigo. Não quero usar palavras que não falem do que sinto, simplesmente porque não adiantariam.

Ficámos um par de horas mais, aninhados um no outro, a sentirmo-nos e a falarmos de nós. Contámos coisas triviais das nossas vidas, demos boas gargalhadas e olhámo-nos bem fundo. Não tínhamos urgência para chegar onde quer que fosse, e nem sequer sabíamos se algo estaria a começar, ou se pelo contrário eramos apenas duas pessoas a usufruírem uma da outra. Foi bonito, intenso e ao mesmo tempo pacífico, saí de ti cheia de vontade de construir coisas novas para mim, de estar sempre onde verdadeiramente fizesse a diferença. Vou passar a querer cada dia mais do muito que ainda preciso de ter para ser uma mulher completa e tu, tu vais estar sempre no meu pedaço de história. Tu já és parte de mim!